Voltar 

         A Alminha de Freixinho

 


 

 

As Alminhas são padrões de culto aos mortos, construídas em variadíssimos materiais onde sobressai, por qualidade e quantidade, o trabalho em pedra.
Na parte fundeira destes trabalhos em cantaria, normalmente em forma de nichos, pintavam-se paineis de almas no Purgatório. Na parte superior destes paineis com nuveis e Anjos, figuravam a Santíssima Trindade, Cristo Crucificado, a Virgem Maria, Santo António, S. Miguel com a balança e tantas outras figuras de Santos.
As Alminhas mais trabalhadas, mais ricas de pormenor abrigam-se em capelinhas ou pequenas caixas telhadas, de amplas edículas com grade de ferro, algumas de digno valor artístico.
Foi o decreto sobre o Purgatório que o Papa Pio V lembrou aos fieis que existe e que as almas retidas nele, são julgadas pelo sufrágio dos fiéis e particularmente pelo aceitável sacrifício do Altar. Mandava o Santo Concílio que os Bispos se esforçassem para que a doutrina sobre o Purgatório ensinada pelos padres fosse acreditada, motivada e em todos os lugares pregada pelos fiéis de Cristo.
Esta doutrina motivou muitos artesãos e artistas na criação de inúmeras Alminhas, que hoje vemos espalhadas pela nossa região e por todo o País. As Alminhas são pequenos e simples monumentos de piedade religiosa, erguidas quase sempre aos caminhos rurais e muitas delas também junto às nossas estradas nacionais.
As Alminhas têm na nossa religião um alto significado religioso e muitas delas indicam os caminhos vicinais que conduzem aos grandes Santuários e suas velhas romarias, como as da Nossa Senhora dos Remédios em Lamego, Nossa Senhora da Lapa em Sernancelhe, Nossa Senhora dos Caminhos junto ao Sàtão e tantas outras, que por muitas, não as podemos mencionar.
O Purgatório inspirou muita arte religiosa, de entre elas destacamos dois trabalhos que são de grande expressão artística, executados por dois artistas portugueses.
Uma é a tela em óleo, o "Julgamento das Almas" atribuída a Gregório Lopes, que veio do convento de S. Bento em Lisboa e está presentemente no Museu Nacional de Arte Antiga. A outra, monumento de valor artístico e histórico o das alminhas da Ponte do Porto, sobre o Rio Douro, projectada por Teixeira Lopes, que regista o grandioso desastre da Ponte das Barcas em 29 de Março de 1809, quando o General Soult ali fez perder a vida a milhares de Portugueses.

                                                                               Júlio Rocha e Sousa

 

 



Nas alminhas do caminho
Deixei uma oração
Perdi perdão da Deus Senhor
Senhor Deus me deu perdão

Alminhas da nossa terra
Erguidas com grande dor
Lembram almas perdidas
Buscando a paz do Senhor

Numa Alminha do caminho
Onde um dia alguém tombou
Seguiu mal o seu destino
No Purgatório se quedou

Nosso Senhor Deus dos céus
Para as alminhas salvar
Como os homens na terra
Nunca pára de rezar

Do Purgatório ao Céu
Vai uma oração a Deus
Para que a pobre alma
Venha a subir aos céus

De Almina para Alminha
Vou parando e rezando
Pedindo a Deus salvação
P´rás almas que estão penando

S. Miguel em tua balança
Mais uma alma podes pôr
Põe uma que muito sofre
A do meu saúdoso amor

S. Miguel meu bom santo
Com vontade tua e minha
Leva a Deus Nosso Senhor
Só mais uma, alminha

Ó meu bom S. Miguel
Ó meu Santo milagreiro
Leva a Deus Nosso Senhor
As almas por inteiro

As Alminhas são um livro
E dos Mais comovedores
Cujas folhas são as almas
e das letras suas dores

Nas Alminhas da estrada
Nunca passes sem rezar
Talvez um dia precises
Das preces de que passar

Quem passar numas alminhas
Reze por quem as ergueu
Pois quem delas se lembrou
Ser lembrado mereceu

Como são encantadoras
Essas brancas capelinhas
A que nosso povo chama
com carinho, Alminhas

Alminhas abandonadas
Desde o berço da Nação
Foram de alma lusitana
A mais cara devoção

Natal volta da mesa
Quantas almas faltarão
Que não lhes falte o sufrágio
Da vossa recordação

Alminhas da nossa terra
da cor do véus de noivado
Todo o cristão se estremesse
Quando passa a vosso lado

Alminhas mãos estendidas
Ao coração de quem passa
Mortes que já foram vidas
Pedem vida à vossa graça

 





Quando penso nas alminhas
Logo minha alma as abraça
Com a tristeza de mãe
Que os filhos vê na desgraça

Em frente de umas Alminhas
Não há decerto ninguém
Que não recorde saudoso
As almas que Deues Lá tem

As alminhas são de todos
Pois quem é que lá não tem
Um parente ou um amigo
Um bom pai ou santa mãe

Não se diga portuguesa
Por muito que o queira ser
Terra que as suas Alminhas
Não restaurar ou erguer

Alminhas Abandonadas
Sem painel nem orações
Abram fontes de remorços
No fundo dos corações

As alminhas são de todos
Ninguém diga que não são minhas
É um dever sufragá-las
Pois são nossas irmazinhas

Se do Céu quereis favores
Prontamente deferidos
Recorrei às almas santas
Logo sereis atendidos

Natal volta da mesa
Quantas almas faltarão
Que não lhes falte o sufrágio
Da vossa recordação

Alminhas da nossa terra
da cor do véus de noivado
Todo o cristão se estremesse
Quando passa a vosso lado

Alminhas mãos estendidas
Ao coração de quem passa
Mortes que já foram vidas
Pedem vida à vossa graça

Quando penso nas alminhas
Logo minha alma as abraça
Com a tristeza de mãe
Que os filhos vê na desgraça

Em frente de umas Alminhas
Não há decerto ninguém
Que não recorde saudoso
As almas que Deues Lá tem

As alminhas são de todos
Pois quem é que lá não tem
Um parente ou um amigo
Um bom pai ou santa mãe

Não se diga portuguesa
Por muito que o queira ser
Terra que as suas Alminhas
Não restaurar ou erguer

Alminhas Abandonadas
Sem painel nem orações
Abram fontes de remorços
No fundo dos corações

As alminhas são de todos
Ninguém diga que não são minhas
É um dever sufragá-las
Pois são nossas irmazinhas

Se do Céu quereis favores
Prontamente deferidos
Recorrei às almas santas
Logo sereis atendidos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Voltar