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A História do nosso Concelho: Sernancelhe

                                                                                   
                                             A Vila de Sernancelhe                                                         Casa da Comenda de Malta        

Dos documentos escritos, a primeira referência mais antiga relativa a Sernancelhe data de 960 e figura num testamento em que a notável condessa D. Flámula (ou Chamoa) manda vender mais de dez castelos seus na Estremadura. Entre esses, está incluído o de Sernancelhe do qual existem diversos vestígios tais como as cercaduras da muralha, a célebre Porta do Sol, e restos da fachada norte de uma das torres.

                                                                                
                                      Casa da Câmara                                                                                                        Solar dos Carvalhos

Indubitável é, porém, vir Sernancelhe de muito longe. Pois, sabe-se que o seu castelo foi conquistado pelos Romanos aos Lusitanos e que há ainda vestígios da civilização castreja nas fundações de diversas casas quer de forma circular, quer rectangular.

Os Romanos estabeleceram aqui um centro de civilização que se estendia por uma vasta área, havendo ainda hoje diversos sinais da sua longa permanência tais como nomes de origem romana ou latina e diversos objectos que se têm encontrado e que algumas pessoas guardam ciosamente. Não esqueçamos que uma das principais vias romanas que ligavam o Norte de Portugal à Espanha passava precisamente por aqui seguido por Guilheiro, Trancoso, Almeida até Espanha.

Muitas moedas do tempo imperial, pesos e objectos de cerâmica fazem parte do riquíssimo espólio de Sernancelhe ligado a esse povo conquistador.

Os Árabes permaneceram aqui até meados do século XI (à volta de 1057) quando o Norte de Portugal foi totalmente liberto do domínio dos seguidores do Islão. É nessa altura, tempo de D. Teresa, que a vila de Sernancelhe é doada aos ricos homens Égas Gosende e João Viegas (pai e filho) que procederam à reedificação do respectivo castelo e promoveram o povoamento. Com D. Afonso Henriques fizeram os Sernancelhenses um contrato de que a vila nunca seria doada a nenhum rico senhor mas prtenceria sempre à Coroa. Aí começa o desenvolvimento de Sernancelhe assim como a sua profunda caracterização que levaram esta vila e sede do concelho a ter importância e influência em diversos assuntos de nível nacional.

                                                                         
                                                                              Pelourinho de Sernancelhe

Esta ascensão durou até ao século XIX, época marcada pelo início de um período de decadência motivada principalmente pelas lutas políticas partidárias em que Sernancelhe tomou parte muito activa. Com esta razão de ordem política e também relaccionada com ela veio o facto da estrada nacioanl ao tempo, rasgada à volta de 1805 ter passado a 3 Km de distância isolando Sernancelhe. A luta pela transferência da sede do concelho arrastou-se por muitos anos e consumiu todas as energias e rendimentos do concelho. Só em meados deste século, a vila libertou-se desse pesadelo e reencontrou o seu fio histórico que o leva a enflileirar ao lado dos concelhos mais progressivos da região.

No perímetro antigo e moderno coexistiram com o concelho de Sernancelhe mais dois concelhos e três vilas: aqueles foram Caria e Fonte Arcada e estas foram Guilheiro, Vila da Ponte e Lapa. O concelho de Caria foi extinto em 1855 e dele passaram para o de Sernancelhe as freguesias de Caria, Rua, Quintela, Segões, Carregal, Penso e Faia. Do concelho de Fonte Arcada, também extinto pela divisão administrativa de 24 de Outubro do mesmo ano, as freguesias de Fonte Arcada (sede), Freixinho, Ferreirim, Maciera, Escurquela e Chosendo.

Mas ainda pela reforma de 1855, passaram a pertencer a Sernancelhe, Vila da Ponte e Vila da Lapa. Por sua vez, a vila de Guilheiro passou a pertencer desde 1855 a Trancoso. E em 1896, Caria e Rua passaram para o concelho de Moimenta da Beira. As reformas administrativas criaram um estado de espírito e fomentaram tais atitudes que em vez de contribuirem para o desenvolvimento do concelho de Sernancelhe foram a causa da sua decadência.

Foi a Câmara de Sernancelhe, a primeira do país, que proclamou a restauração de D. João VI como rei absoluto pela queda da constituição de 1820. E foi ainda a primeira que protestou contra o desembarque das tropas liberais no Mindelo. Depois, as guerras entre D. Pedro e D. Miguel, com os Marçais, o Tenante da Tabosa ou Espagadão, o Chuça, etc... passaram por aqui como sombras sinistras.

A origem do nome de Sernancelhe é ainda hoje assunto muito discutido. Há opiniões meramente populares e outras mais ou menos ciêntíficas. O abade Vasco Moreira, baseado no foral de 1124, disse que a origem do nome está em "Cernancelli" ou "Cernancelle", que seria o nome próprio, no contexto romano, do senhor ou dono da vila de Sernancelhe e que por isso, a grafia deveria ser com "C" como se escreveu até ao século XV. Entretanto, a verdadeira origem, segundo o autor, estaria na forma "Sénior" mais diminutivo "Cellus" que veio a dar Sernancelhe e portanto, segundo esta opinião, a correcta grafia é com "S" e não com"C".

                                                          
                                                                                                             Edifício da Câmara Municipal

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