Voltar 

POEMAS  
 



Poema a Freixinho


 António Faustino, poeta popular
 (natural de Arnas - Sernancelhe)

 

 
 

 
 

 

 
Freixinho, antes da barragem,

Não havia outro povo igual.

Tratavam os animais com brio,

Com pastagens do Rio.

Criadas no lindo amieiral

 

Agora um pouco diferente

O melhor desapareceu,

Lindas terras a beira-rio

Mas a coragem e o brio

Nos habitantes não morreu.

 

Empurrados para o monte

Pelas águas que lhes tocaram

Com coragem o povo todo,

No sopé do monte gordo

Um novo povo formaram.

 

Com melhor produção

Do que era atrasada

Batatas, azeite e vinho

Caça, pesca, madeira de pinho

Fruta boa e variada

 

Desprovidos de indústria

E a lavoura degradada,

Freixinho é mesmo assim:

O povo parece jardim

E ali não falta nada

 

Graças à iniciativa

Desta gente muito amável

Que o povo tem como herança

Gente com muita esperança

E uma fé inabalável.

 

A linda juventude de agora

Que nada tem na lembrança,

Ainda tem contemplação

Pela juventude de então

Que ajudaram na mudança

 

Trabalharam por amor

A terra que os viu nascer

Entre o presente e o passado

Deixaram seu nome gravado

Para nunca mais esquecer.

 

Seu padroeiro S. Miguel

Também quis ajudar:

Orientou a população

Na linda organização

Sem sair do seu altar

 

Freixinho, berço dourado,

Que embalou gente de bem,

Embalou professoras,

Senhoras muito senhoras

e doutores também.

 

O convento N.S. do Carmo,

De freiras que já morreram,

que lindos doces inventaram

Cujas receitas deixaram

Às senhoras que aprenderam.

 

Uma ainda hoje se usa,

Não seria das mais fracas,

Um doce muito procurado,

Por gente de todo lado

Que tem o nome de cavacas

 

As cavacas do Freixinho,

Com muitos belos sabores,

/Eram muito apreciadas

Por gente civilizada

E pelos próprios Doutores.

 

Que em dia de Páscoa,

Entravam em todo lado

E a partir desses dias

Estavam nas romarias

Casamentos de baptizados.

 

Às vezes eram encomendadas

Para os anos de um velhinho,

Por serem bem preparadas

Eram muito apreciadas

As cavacas de Freixinho.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

   Voltar