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   O CONVENTO Nª Srª do CARMO - página 2
 

  

 

   

 

 

 

    Convento de Nossa Senhora do Carmo
O sonho que se tornou realidade

Este convento do século XVII, cuja recuperação foi idealizada há oito anos, observa do alto o rio Távora e a aldeia de Freixinho. Magnificamente adaptado aos novos tempos, acolhe hoje um hotel rural repleto de encantos.

Tempos conturbados
Fundado em 1663, em honra de Nossa Senhora do Carmo e com o objectivo de dar educação às meninas de famílias nobres sem grandes recursos, por iniciativa do licenciado João de Gouveia Couto – que, em 1704, seria sepultado na igreja privativa –, este convento pertence hoje a Yolanda Cunha e Souto.
Conhecido nos primeiros tempos como Convento de Santa Teresinha do Menino Jesus – designação que vem referenciada em antigos documentos encontrados recentemente –, foi administrado e gerido por religiosas sem clausura nem votos, escapando à sanha devastadora de 1834. Porém, a fobia demagógica subsequente à implantação da República levou a que o imóvel fosse confiscado, sendo expulsas as religiosas e os seus dotes igualmente confiscados com todos os bens do convento.
Os herdeiros do fundador recorreram do confisco nos tribunais, baseados em cláusulas da escritura da fundação – e assim se fez justiça. Os bens acabariam por ser restituídos, mesmo com a perda da maioria dos valores do recheio.
A sede do convento era uma espécie de casarão alongado, com janelas estreitas, longos corredores e muitas dependências. Ao centro, existia um claustro quadrado, rodeado por varandas apoiadas em colunas. Junto a este, encontra-se a igreja cujo traçado exterior é semelhante ao do Recolhimento, distinguindo-se pela cruz que encima o pórtico de entrada.
 

A concretização de um projecto
O proprietário, avô paterno a quem pertence agora o Convento, e atràs já referido, era médico-veterinário e vivia nas Caldas da Rainha. Quando rebentou a República, saquearam o convento e as freiras foram embora. Então, ele veio viver para Freixinho, tendo já falecido. Parte dos bens recuperados pelos herdeiros decoram os extensos corredores e as salas amplas, remodelados pela actual proprietária e pelo marido, César Lourenço. «Este convento sempre foi da família mas só ao fim de doze anos é que consegui recuperá-lo, com o apoio do meu marido», explica ainda. «Na época do meu avô o convento não estava em ruínas. Só depois se foi degradando apesar de haver sempre uma parte mais ou menos restaurada porque a minha mãe viveu aqui e eu também.»
A ideia da restauração do Convento surgiu há 8 anos pela proprietária. Acompanhou o projecto do princípio ao fim com todo o empenho, encarregando-se ela própria da aquisição de novas peças e de toda a decoração. Abriram-se e interligaram-se as celas de três em três para acolher os quartos e suites.
A princípio, o objectivo era abrir 10 quartos mas depois, considerando que aqueles não seriam suficientes para solicitações de grupos turísticos, acabaram por inaugurar 24 quartos. «O apoio que nos deram também tinha a ver com o número de quartos», esclarece a proprietária, que resolveu aderir ao turismo rural para conseguir concretizar o seu sonho antigo.


A inspiração da paisagem
À chegada, evidencia-se a enorme rocha sobre a qual este convento e a sua torre foram erigidos. O alto da torre oferece uma vista paradisíaca sobre o rio Távora e a piscina. Recriaram-se nichos para os turistas se sentarem, idênticos aos que existiam no tempo das religiosas – só não eram fechados com vidro mas por portadas de madeira. «Nós optámos pelo vidro para se ver melhor a paisagem e porque era mais bonito», explica Yolanda Cunha e Souto. «O resto manteve-se tal e qual como era.» As escadas de ferro em bruto surgiram, também, pela limitação do espaço, pois a madeira ocupava uma área maior. Ao Arq. Henrique Torres que esteve ligado ao projecto desde o início, agradou essa integração do ferro num cenário secular.
O claustro manteve-se igual, embora com outras madeiras. Os pilares e o pavimento são de origem. A capela, onde agora funciona o restaurante, estava cheia de lenha e completamente degradada, sem vestígios dos velhos tempos. Tudo foi restaurado e nada ficou ao acaso. Actualmente, o requinte e o bom gosto convidam-nos a viver um conto de fadas num dos lugares mais recônditos das Beiras, debruçado sobre as águas do Távora e todo um horizonte inesquecível.

 

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