Nossa Senhora da Lapa

Um dos
cultos mais populares e tradicionais de Portugal é o de Nossa Senhora da
Lapa. Diz-se que uma menina pastora, muda, encontrou uma imagem da Virgem nos
montes e levou-a para casa. A mãe não ligou à estátua e lançou-a para a
lareira. A menina, falando pela primeira vez na vida, pediu à mãe que não
queimasse a imagem. Talvez por isso a estátua da Virgem que está no santuário
apresente marcas de queimaduras. Outra história ligada a este santuário diz
que uma menina entretinha-se a fiar lã enquanto pastoreava os rebanhos quando
foi atacada por um enorme lagarto que aterrorizava a região. Para se salvar,
atirou os novelos de lã para a boca do monstro tendo este ficado
completamente "empanturrado". Levou-o então pela ponta de um fio até
casa, onde foi morto e empalhado. E não há dúvida que, entre os muitos
ex-votos de peregrinos, há no tecto do santuário um grande
"lagarto", embora os mais cépticos digam que ele foi lá posto por
um homem para agradecer à Virgem te-lo salvo de um crocodilo na Índia.
Ao
subir a serra da Lapa encontramos um dos mais antigos e famosos santuários
portugueses, que atrai peregrinos de todo o país. De facto a capela de Nossa
Senhora da Lapa foi construída já no século XVII pelos jesuítas, mas o
culto é muito anterior, havendo quem o remeta para o século X, quando as
investidas dos mouros fizeram com que a população cristã tenha escondido
uma imagem da Virgem numa gruta ou "lapa". Mas histórias, lendas e
milagres são o que não falta neste santuário com muitos ex-votos e com uma
curiosa passagem entre rochas por onde só se consegue esgueirar quem não
cometeu pecados graves.
Outra
crença ligada ao santuário de Nossa Senhora da Lapa diz que por esta
estreita passagem entre as rochas só se conseguem esgueirar os que não têm
pecados graves na consciência.
O santuário foi construído sob a orientação dos Jesuítas.
Era, segundo o Abade Moreira "grandioso, com escadaria cavada na rocha
viva que alto arco sobrepuja".A igreja compõe-se de duas partes que se
completam: o corpo e a capela-mor.
O Santuário guarda na capela-mor o rochedo milagroso com a imagem da Senhora
da Lapa. São de salientar tesouros sem conto oferecidos até por reis e
rainhas, a cenografia dos altares da Crucificação e da Morte de S. José,
que comovia até lágrimas, a fortíssima atracção do Presépio implantado
no rochedo. O altar de Nossa Senhora da Lapa foi erguido no local onde,
segundo a lenda, a pastora Joana encontrou a imagem escondida pelas
religiosas. Ali se venera há cerca de quatro séculos, como as multidões da
Beira sabem venerar, aquela em quem veêm a luz nas suas trevas e o consolo
nas angústias do coração. Também o altar da Virgem Adormecida,
a Casa dos Milagres, cheia de quadros pintados, balanças pesando meninos de
trigo, o lagarto da Lapa, temeroso, preso ao tecto por uma cadeia de ferro,
entravam no imaginário de romeiros que enchia de histórias a noite de seus
filhos. A Senhora da Lapa, em Portugal e Santiago de Compostela, na
Espanha, chegaram a ser, em tempos, os dois sanctuários mais importantes da
Península Ibérica.
O Lagarto da Lapa
Segundo consta, o enorme sardão que já se
encontra há muitos anos no Santuário da Lapa, teria vindo da India.
Conta a lenda que um homem da região, que vivia na India, teria sido atacado
por um grande caimão. Nesse momento, de grande aflição, o homem teria evocado
a Nossa Senhora da Lapa para que lhe desse forças para o poder matar, tendo-o
conseguido.
Em sinal de reconhecimento e gratidão pela ajuda, foi trazida a carapaça
dorsal e a pele e com estes elementos reconstituiu-se o "bicho" e foi
oferecido ao Santuário.
Com o passar dos anos a pele foi comida pela traça enquanto a outra parte se
manteve. Mais tarde um devoto, ou simples curioso, lembrou-se de o restaurar,
cobrindo a carapaça com uma tela oleada reformando assim uma das singularidades
deste Santuário.
A existência do sardão, tem também uma outra explicação, esta originária
da sempre fértil imaginação do povo. Assim consta que uma mulher que vinha de
um povoado chamado Forca (hoje aldeia de Santo Estevão), a caminho de Quintela
com novelos de linho para tecer, a meio da encosta da serra num local que tem
como nome " Cova do Lagarto", veio a ser atacada por um enorme sardão
de boca aberta para a comer. A mulher, aflita, lembrou-se de apelar à Senhora
da Lapa e ocorreu-lhe a ideia de lançar ao monstro os novelos que levava no
saco ficando com as pontas dos fios nas mãos. Com os novelos engolidos, a
mulher foi puxando os fios o que fez com que engasgassem e levassem à morte, o
enorme bicho. Em sinal de gratidão a mulher trouxe o animal para a Lapa.
Esta segunda versão sobre a origem deste ex-voto, sem dúvida menos plausível
do que a primeira, pois um sardão (lagarto) deste tamanho dificilmente poderia
existir nesta zona, foi no entanto a lhe deu o nome pelo qual é conhecido.