Voltar à página principal

  A Igreja e S. Miguel
 

      

 

   

A Igreja Paroquial, do século XVI, ainda que longa e sombria, é harmoniosa e bem proporcionada. Possui uma capela-mor de tecto apainelado, com altar e enquadramento de belíssima talha dourada, estilo renascença. O altar-mor apoia-se em quatro colunas suportadas por quatro figuras esculturadas – obra típica da arte popular do tempo e tem por remate uma engraçada concha que forma o dossel do tabernáculo.
              

No corpo da Igreja, há duas capelas: uma dedicada à Senhora da Conceição e outra a S. José. A capela de Nossa Senhora foi erigida pela família Cunha que, se ligou à dos Soutos. O escudo exibe, na brica, um leopardo e, no gume do arco, as nove cunhas de azul em campo vermelho, relacionadas com a tomada de Lisboa, nas muralhas de cujo castelo D. Paio Guterres – fidalgo borgonhês que veio para o Condado Portucalence no séquito do Conde D. Henrique a quem serviu como soldado e leal conselheiro – mandou cravar as nove cunhas e por elas subiu com os seus camaradas de armas. Dentro guarda dois retábulos que representam Santa Ana e S. Joaquim. A segunda capela, bastante deteriorada, ostenta no forro de madeira o brazão dos Almeidas, do seu fundador José de Almeida, a quem, atendendo à sua geração, vida e costumes, o Bispo D. Nuno da Cunha de Athayde, Capelão-mor e Inquisidor Geral, nomeou Familiar do Santo Ofício da Inquisição de Coimbra, a 7 de Dezembro de 1701.                               
     Do lado direito da Capela-mor ou do Santíssimo, lê-se em pedra tumular esta inscrição, gravada em caracteres latinos: “DOCTOR PETRVS GVNSAL.º EX ANTIQVA AMATOR.º FAMILIA HVI SACELI FVNDATOR HIC TVM.IAC.OB.1547” – que em português se traduz – “ O Doutor Pedro Gonçalo, da antiga família Amador, fundador desta capela, jaz neste túmulo. Morreu em 1547”.
        O túmulo que se encontra na mesma capela, à esquerda, não tem estátua jacente nem inscrição.
       No pavimento do presbitério, está uma outra sepultura, mas rasa, com inscrição apagada de que se destaca, embora tenuamente a letra “A”, de uso corrente no século XVI.
        No Terreiro está patente a casa brasonada da família Cunha e Souto, com um bonito portão e páitio lajeado

 

     

Voltar à página principal